As oito perguntas que a banca faz
Examinador não lê seu TCC do começo ao fim procurando erro de vírgula. Ele lê procurando resposta pra uma lista curta de perguntas. Se o trabalho responde, passa. Se trava em alguma, é ali que a arguição vai bater. Leia cada uma pensando no seu texto.
1 O objetivo e a conclusão conversam?
A banca vai ler o seu objetivo geral e depois pular direto pra conclusão. Se você prometeu analisar uma coisa e concluiu sobre outra, ela acha em trinta segundos, e essa é a falha mais comum em TCC reprovado.
Sinal de fragilidade: você não consegue apontar, na conclusão, a frase que responde ao objetivo geral. Se precisa explicar em voz alta pra fazer sentido, ela não está escrita.
2 O método dá conta do que você afirma?
Não é sobre o método ser sofisticado, é sobre ele sustentar a sua conclusão. Quinze respondentes não viram "a população prefere". Uma revisão de literatura não vira "ficou comprovado que".
Sinal de fragilidade: a conclusão usa verbos mais fortes que o método permite. Procure "comprova", "demonstra", "prova" e veja se o que você fez aguenta.
3 As referências existem mesmo?
Essa é eliminatória e virou comum desde que todo mundo usa IA pra buscar fonte. Referência inventada não é erro de formatação, é problema de integridade, e o orientador confere em um clique.
Sinal de fragilidade: tem referência na sua lista que você nunca abriu. Toda citação precisa ter um texto real por trás, que você leu. Veja como montar as referências.
4 Tudo que está citado no texto está na lista? E o contrário?
A checagem mais mecânica que existe e a que mais gente entrega errada. Autor citado no corpo e ausente nas referências, ou referência listada que não aparece em lugar nenhum do texto.
Sinal de fragilidade: você nunca conferiu os dois sentidos. Não dá pra saber de cabeça, tem que cruzar item por item.
5 Pesquisa com gente tem aprovação de ética?
Se você aplicou questionário, entrevista ou coletou qualquer dado com pessoas, o comitê de ética não é burocracia opcional. É o item que reprova sem discussão, mesmo num trabalho bom.
Sinal de fragilidade: tem coleta com pessoas e não tem número de parecer do CEP nem termo de consentimento no trabalho.
6 O texto é seu?
Não é sobre ter usado ferramenta. É sobre o argumento ser seu e as fontes estarem creditadas. Trecho copiado sem aspas e sem autor é plágio mesmo quando não foi por mal, e nesse ponto a intenção não conta.
Sinal de fragilidade: existe parágrafo no seu TCC que você não saberia explicar se a banca perguntasse de onde veio. Veja como declarar o uso de IA.
7 A formatação está na régua da sua instituição?
Aqui a boa notícia: é a parte mais fácil e a que menos reprova sozinha. Margem, fonte, espaçamento e sumário tiram ponto e irritam, mas raramente derrubam. O detalhe que muita gente erra é seguir a ABNT genérica quando a faculdade tem manual próprio.
Sinal de fragilidade: você nunca leu o manual da sua instituição, só a ABNT. Veja as regras de estrutura e a formatação no Word.
8 Você aguenta a pergunta difícil?
A defesa não é sobre repetir o trabalho, é sobre sustentar as escolhas. Por que este método e não outro. Por que esta amostra. O que você faria diferente.
Sinal de fragilidade: não existe nenhuma limitação declarada no seu texto. Trabalho sem limitação assumida é o convite mais fácil pra banca abrir a arguição. Veja como preparar a defesa.
O teste dos cinco minutos
Abra o seu arquivo e responda. Cada item sem marcar é uma conversa que a banca vai puxar.
- Consigo apontar a frase da conclusão que responde ao meu objetivo geral.
- Todo autor citado no texto está nas referências, e nenhuma referência sobra.
- Abri pessoalmente todas as fontes que citei.
- Meus verbos de conclusão cabem no meu método.
- Se coletei dado com pessoas, o parecer de ética está no trabalho.
- Existe uma seção dizendo as limitações do que eu fiz.
- Li o manual da minha instituição, não só a ABNT.
E se eu não souber responder sozinho?
É o mais comum. Quem escreveu o trabalho é a pessoa com menos condição de enxergar o buraco dele, porque a sua cabeça preenche sozinha o que ficou faltando no papel. Foi pra isso que a Sofágora existe: dez avaliadores leem o seu TCC com a régua da sua área e devolvem onde está frágil, com o trecho citado e o motivo.
A gente não escreve o seu trabalho, e não vai dizer que ele está aprovado. Diz onde quebrou, corrige a forma, aponta os caminhos e explica o porquê de cada apontamento. Quem crava a nota continua sendo a sua banca.